domingo, janeiro 25, 2004

Literatura

Este texto recebi por e-mail e achei que não podia deixar de partilhá-lo.



"Confrontados com o baixo nível das conversas da juventude portuguesa
decidimos dar o nosso contributo. Compreendemos que ninguém tem tempo e
que, quando o há, temos coisas mais engraçadas que fazer do que ler um
livro, por muito bom que ele seja. Ver vídeos, dar uma volta,
embebedar-se, pecar em geral, são de facto actividades mais divertidas e mais
rápidas.
Por esta e outras razões pomos a nossa extensa cultura ao serviço de
todos os ignorantes que nos lêem. Para poupar tempo e dinheiro aqui estão
alguns tesouros da literatura universal em poucas linhas e ao alcance de
qualquer besta.

1) Marcel Proust. À Ia recherche du temps perdu. Paris, Gallimard. 1922
(I.ere edition) - À procura do tempo perdido. Livros do Brasil Colecção
Dois Mundos). 1965
Resumo: Um rapaz asmático sofre de insónias porque a mãe não lhe dá um
beijinho de boas-noites. No dia seguinte (pág. 486. I vol.), come um
bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344. VI vol.) tem um ataque de
asma porque a namorada (ou namorado?) se recusa a dar-lhe uns beijinhos.
Tudo termina num baile (vol. VII) onde estão todos muito veIhinhos e pronto.

2) James Joyce. Ulysses. Paris, Shakespeare Co.. 922 - trad. portuguesa
(obrigatório dizer e é má) de João Palma-Ferreira. Resumo: Um dia na vida de um judeu chamado Bloom que vai cagar no primeiro capítulo. Um estudante chamado Daedalus masturba-se na praia. O judeu bebe uns copos e fala com o sapato. A mulher do judeu (que é cantora) lembra-se de como fornicou o dia todo com o seu amante. Termina com a palavra «Sim», prova indiscutível de que se trata de um livro inteiramente positivo.

3) Júlio Dantas, A Ceia dos Cardeais, Lisboa, Lello, 1908 - tradução
portuguesa de David Mourão-Ferreira. Resumo: Era uma vez três cardeais. Um era português, o outro espanhol e o outro francês. Estavam a jantar no Vaticano e lembraram-se de comparar engates. O francês tinha muita lábia, o espanhol muita basófia mas o
português é que a sabia toda. No fim, os outros baixaram a bola e reconheceram como é diferente (e melhor) O amor à portuguesa. Ou, como disse no fim o cardeal inglês. «Portuguese do it best».

4) Leão Tolstoi, Guerra e Paz, (1800 páginas)
Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra e por isso Napoleão invade Moscovo. A rapariga casa-se com outro. Fim.

5) Luís de Camôes, Os Lusíadas (várias edições), versão portuguesa de João de Barros)
Resumo: Um poeta com insónias decide chatear o rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa porreiraça), têm o justo prémio numa ilha cheia de gajas boas.

6) Gustave Flaubert, Madame Bovary, (378 páginas)
Resumo: Uma dona de casa engana o marido com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do talho, o merceeiro, e um vizinho cheio de massa. Envenena-se e morre.

7) William Shakespeare, Hamlet, Londres, Oxford Press
Resumo: Um príncipe com insónias passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada que entretanto se suicida ao saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe. O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com urna caveira e morre, assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que se tinha suicidado.

8) Anónimo colectivo, Antigo Testamento (2 vol.)
Resumo: A mesma história tem dezenas de versões. Trata-se da saga de uma família através de várias gerações. Uma história de poder, luxúria, paixões incandescentes, ambições desmedidas, crimes hediondos e sexo.

9) Anónimo colectivo. Novo Testamento (4 versões)
Resumo: Uma mulher com insónias dá à luz um filho cujo pai é uma pomba. O filho cresce e abandona a carpintaria para formar uma seita de pescadores. Por causa de um bufo, é preso e morre."


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